Sustentabilidade

Transparência na Sustentabilidade: Um Olhar Crítico e Necessário


Vivemos numa época em que a sustentabilidade se encontra no epicentro do debate global, mas o seu significado é frequentemente distorcido por interesses que priorizam o lucro imediato em detrimento do bem comum. Num contexto internacional marcado por crises climáticas e desigualdades crescentes, a economia predatória, mostra, agora sem pudor, a verdadeira face de um sistema que não hesita em delapidar recursos naturais e comunidades locais em nome da acumulação de riqueza.

É precisamente aqui que a Europa tem a oportunidade e a responsabilidade de fazer a diferença. Com a sua tradição de direitos sociais e um compromisso crescente com a transição verde, o Velho Continente pode e deve liderar pelo exemplo, promovendo modelos de desenvolvimento que respeitem o ambiente e as pessoas. Esta liderança exige, contudo, mais do que discursos: implica acções concretas e uma articulação efectiva entre todos os sectores da sociedade para criar soluções sustentáveis, inclusivas e transparentes.

Sustentabilidade: Uma Palavra Gigante e Maltratada

Nos últimos anos, a palavra “sustentabilidade” tornou-se omnipresente, ecoando em discursos empresariais, campanhas de marketing e ações governamentais. No entanto, a amplitude do termo é frequentemente utilizada de forma descuidada, sem critério ou compromisso real. Muitas organizações, ao apelar para o conceito, limitam-se a uma abordagem superficial, desprovida de bases sólidas e objectivos claros.

Quantas vezes nos deparamos com empresas que, em seus discursos, exaltam a “responsabilidade ambiental” enquanto mantêm práticas que contradizem esse ideal? O greenwashing é um reflexo desse fenómeno: palavras bonitas mascaram um vazio de ações concretas. Para que a sustentabilidade não seja apenas uma palavra da moda, é fundamental adoptar critérios claros, compromissos mensuráveis e transparência em todas as etapas.

A transparência implica não apenas comunicar resultados, mas também demonstrar vulnerabilidades, reconhecer desafios e estabelecer metas tangíveis. Mais do que um selo ou um discurso eloquente, a sustentabilidade requer ações enraizadas em valores genuínos e comprometidas com o impacto positivo.

Turismo no Interior: Delicadeza e Cuidado como Direcção

No contexto do turismo em regiões rurais, o desafio da sustentabilidade assume contornos ainda mais sensíveis. O interior de Portugal, com as suas paisagens deslumbrantes, tradições autênticas e comunidades acolhedoras, tem-se tornado um destino em ascensão. Contudo, o crescimento desordenado do turismo pode rapidamente transformar riquezas naturais e culturais em cenários de degradação e homogeneização.

É imprescindível que os projectos turísticos sejam concebidos e implementados com o envolvimento de actores locais, que compreendem as particularidades da região e podem actuar como guardiões de seus valores. Esses actores devem trabalhar em sintonia com entidades públicas e privadas para assegurar que cada iniciativa respeite os habitats, preserve o que há de mais autêntico e contribua para o desenvolvimento sustentável da comunidade.

Nesse contexto, destaca-se o trabalho da Inland Portugal, que tem vindo a convidar guias locais, associações e outros intervenientes com uma visão alinhada para se juntarem à sua plataforma de divulgação. Esta abordagem promove uma forma de viajar mais responsável e genuinamente sustentável, valorizando as experiências autênticas e respeitando as especificidades de cada região. Para que isso seja possível, Inland Portugal reconhece a necessidade de formação das equipas locais em temáticas relacionadas com a sustentabilidade.

Com o objectivo de proporcionar esta formação, a Inland Portugal candidatou-se à iniciativa European Bauhaus. Esta acção visa obter o apoio necessário para capacitar os seus parceiros locais, garantindo que estes estejam preparados para integrar boas práticas sustentáveis e reforçar a rede de colaboração em torno do turismo rural.

Puxar Todos para Cima

Trabalhar em rede significa construir alianças onde a partilha de saberes, recursos e experiências beneficia a todos. O avanço de uma região ou de um projecto não deve ser visto como uma competição, mas como um movimento que impulsiona toda a comunidade. Essa é a verdadeira essência da sustentabilidade: criar condições para que cada pessoa, cada organização e cada ecossistema possam prosperar juntos.

A transparência, aqui, também desempenha um papel crucial. Quando há clareza nos objectivos, nos processos e nos resultados, cria-se um ambiente de confiança e colaboração. Sustentabilidade é muito mais do que preservar recursos; é sobre construir relações sólidas e responsáveis, onde o cuidado com o outro e com o planeta seja a direcção permanente.

Conclusão

Se queremos um futuro verdadeiramente sustentável, precisamos abandonar a superficialidade e abraçar a complexidade que o termo exige. No âmbito empresarial, no turismo ou em qualquer outra área, a sustentabilidade deve ser vivida com intencionalidade, respeito e comprometimento. Transparência não é opcional; é um caminho indispensável para que possamos realmente “puxar todos para cima” e construir um mundo mais equilibrado e justo.

 

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By Alexandra Melo November 16, 2024
As a small tour company focused on responsible tourism and sustainability, there are several compelling arguments we have against large booking platforms. These platforms often present challenges that can undermine our goals and business values. Here are some points we find relevant: 1. High Commission Fees Large platforms charge significant commissions (typically 15–30%), which eat into the revenue of small tour operators. This makes it harder for small companies to reinvest in local communities or sustainability initiatives. These fees can force smaller operators to increase prices, making them less competitive or forcing compromises on service quality. 2. Limited Focus on Sustainability Many large platforms prioritize quantity over quality, listing numerous tours without vetting their environmental or social impact. They often fail to highlight or promote operators who emphasize sustainability, making it harder for eco-conscious travelers to find responsible options. 3. Loss of Direct Customer Relationships Booking platforms control customer data, which prevents small operators from building long-term relationships with their clients. This lack of direct engagement limits opportunities for feedback, repeat business, and personalized experiences—all of which are hallmarks of responsible tourism. 4. Race to the Bottom on Pricing Platforms encourage price competition, often favoring the cheapest options over the most responsible or high-quality tours. This creates pressure to cut costs, which can lead to unsustainable practices such as underpaying local staff or skimping on environmental safeguards. 5. Overshadowing Local Economies Big platforms often centralize profits, with a large share of revenues flowing to multinational corporations rather than staying in local economies. Small businesses lose visibility as they compete with large operators who dominate search rankings or can afford to pay for premium placement on these platforms. 6. Homogenization of Experiences These platforms often favor generic, mass-market tours over unique, community-based or eco-friendly experiences. This homogenization can dilute local culture and reduce the authenticity of tourism, which undermines the principles of responsible travel. 7. Lack of Flexibility and Autonomy Platforms impose strict cancellation policies, pricing structures, and other rules, limiting the flexibility of small operators to adapt to local circumstances or customer needs. Such rigidity can hurt the customer experience and make it harder for operators to innovate or offer personalized options. 8. Environmental Impacts of Scale Large platforms contribute to overtourism by promoting the most popular destinations and tours, exacerbating environmental degradation and straining local resources. Smaller operators focusing on sustainability are often overlooked, despite their role in mitigating these impacts. 9. Erosion of Brand Identity Operating under a large platform’s umbrella can overshadow your unique brand and message. Travelers may associate the experience with the platform rather than your company. This undermines your ability to communicate your values and commitment to sustainability directly to customers. 10. Unequal Playing Field The algorithms and ranking systems on large platforms often favor operators who can spend more on marketing or meet specific volume metrics, sidelining smaller, eco-friendly businesses. This creates an unfair advantage for larger, less responsible operators. 
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